segunda-feira, 11 de junho de 2012

 
'Que tolice a minha achar que um pássaro tão belo e livre como você abdicaria do seu direito de voar para eternizar a vida ao lado meu, pobre flor com pétalas caídas…
Sabe meu passarinho, eu nunca quis cortar suas asas, aliás, o que me conquistou foi o seu jeito de voar. Tão belo me rodeava todas as manhãs mas o vento forte de suas asas sempre me machucou só que isso não importava, o espetáculo do seu vôo valia toda a dor. Eu te quis passarinho, te quis muito, desejava ardentemente sua presença e quando você vinha, eu desabrochava e perfumava o céu para você voar.
Mas eu sabia que você não ficaria, em breve mudaria a estação, logo teria que partir, e outrora me disseram que passarinho engaiolado perde o brio. Você nasceu para voar e eu tenho raiz e estou condenada a ficar aqui, parada, fincada na terra fria e úmida.
Como eu queria poder voar com você, vislumbrar outros céus, conhecer novos mundos –me leva com você rouxinol- eu pensava a cada vez que lhe via, que infâmia, lugar de flor é junto a terra. Voa passarinho. Voa que eu fico com a lembrança do bater de suas asas.
— Raihsa Ribeiro

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